A DECEPÇÃO DOS BRASILEIROS NÃO TEM FIM

Muitos brasileiros começaram a sentir um alívio profundo quando ocorreu o impeachment da ex-Presidente Dilma Roussef. Acharam que o PT seria punido através da Lava Jato e que o Juiz Sergio Moro iria lavar suas honras, em decorrência das penas que os corruptos receberiam.
Com a posse de Temer, que praticamente se intitulava o “salvador da pátria”, aqueles brasileiros sentiram que o país estava no rumo certo, se baseando no que ouviam nos noticiários e liam nas manchetes dos principais jornais.
Os outros que ainda simpatizavam com os ideais da esquerda, foram se enfraquecendo e seus discursos de golpe e traição, começava a ser suprimido pelas supostas respostas do mercado e pelas mesmas “boas notícias” que embelezavam o novo Governo.
Apesar de enfraquecida, a esquerda ainda mantinha um sopro de vida e mantendo o discurso da perseguição e opressão pelo poder do capital, continuava a buscar um espaço na mídia, afirmando que as contas de campanha haviam sido aprovadas pelo TRE e que não poderia ser penalizada pelo erro de alguns poucos companheiros ou camaradas.
Temer, apesar de não conseguir ainda impor sua marca, começava a dar alguns sinais de aglutinação de forças, com alguns números da economia, muitas vezes melhorados pela própria recessão que diminuía o poder de compra e que sendo assim, acabava empurrando os preços para baixo.
Essa pequena deflação não deveria ser vista como uma conquista, pois o povo sem dinheiro no bolso logicamente comprava menos, mas ainda assim, a inflação não estava aumentando e o atual governo, soube tirar da vantagem de qualquer boa notícia, mesmo que fosse mascarada.
Porém, parece que os hábitos da impunidade e da vaidade forjados nos altos escalões do poder público e privado, estavam ao mesmo tempo corroendo as relações políticas e fazendo com que muitos apoiadores começassem a cobrar faturas muito altas em troca do pretenso apoio político.
Com o avanço da Operação Lava Jato e de seus desdobramentos, com prisões de notáveis e de delações premiadas, por vezes atreladas a acordos de leniência, realizados obviamente para salvar os próprios pescoços, a cortina de fumaça começava a se desfazer e o povo, de modo geral, começa a acordar desses sonhos e pesadelos conforme as bandeiras que carregavam ou pelo menos preferiam acreditar.
Quando os irmãos Batista, maiores produtores de proteína animal do mundo, depois de financiarem uma infinidade de políticos de esquerda e de direita doando, segundo eles próprios, através de caixa 2 e com dinheiro vivo, no Brasil e no exterior e pagando verdadeiras fortunas em propina maquiada em doações oficiais e legalmente declaradas ao TRE e TSE, resolveram contar tudo em troca da garantia da liberdade e benefícios ao conglomerado empresarial, a máquina pública de novo começa a desmoronar.
Um dos irmãos, Joesley Batista, gravou conversas diretas registradas pessoalmente com o próprio Presidente da República dentro da residência oficial, além de telefonemas com o Senador Aécio Neves e o Deputado Rodrigo Rocha Loures. De posse de farto material extremamente comprometedor procurou o STF e conseguiu realizar o mais rápido e mortífero de todos os acordos de delação premiada, conseguindo além de estremecer o Planalto, salvo conduto para sair do país deixando para trás um rastro de destruição política e uma fortuna em convenientes dívidas públicas.
O estrago está feito com as delações dos donos e de outros diretores do grupo J&F que comanda a JBS e mais uma infinidade de outras empresas no Brasil e no exterior. Foram descortinados os detalhes da corrupção praticada, segundo ele durante os governos Lula, Dilma e Temer, pagando caro pela manipulação do poder à integrantes de partidos de esquerda e direita, sem se importarem com a legenda ou ideologia e muito menos com a cor da bandeira.
Durante os depoimentos dos irmãos bilionários, reforçados com os detalhes íntegros, porém sórdidos dos diretores de sua confiança que também se tornaram delatores, esses informaram aos Procuradores da República e por sua vez, ao relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, que pagaram propina nas mais variadas formas a 1.829 políticos de 28 partidos e ocupantes de vários cargos públicos, na esfera federal, estadual e municipal.
O Ministro Edson Fachin prontamente e com base na delação JBS e nas provas apresentadas, mandou afastar do mandato parlamentar, o Senador Aécio e o Deputado Rodrigo Loures, esse último contava com total confiança do Presidente Temer e por ele foi indicado, segundo as gravações tornadas públicas, para ser seu interlocutor, junto aos interesses da Holding J&S.
Com toda essa lambança política, só nos resta esperar pelas cenas dos próximos capítulos que certamente mostrarão as impopulares reformas propostas por temer e sua equipe, sendo colocadas na gaveta, já que contrariavam interesses de significativa parte da população brasileira e de boa parte dos técnicos do próprio governo.
No caso da reforma da Previdência, que sinceramente esperamos seja repensada integralmente, a mesma não conseguiu convencer, pois enquanto temer e sua equipe apelavam com a ameaça de que se não fosse aprovada, os aposentados ficariam sem salário, técnicos da Receita Federal e do próprio INSS, afirmavam que os números seriam irreais, não retratando a realidade dos fatos e pelo contrário, omitiam os reais motivos da falta de dinheiro da Previdência que seria superavitária, não fosse o destino surreal dado a toda a arrecadação.
Essa polêmica nos fez, depois de muito refletir, oferecer essa sintetizada avaliação desse “tsunami” no meio financeiro, político e que não deixa de ser um fantástico caso de polícia, ressaltando que o julgamento de Temer, junto com Dilma está marcado para o início de Junho de 2017 e com os pedidos do PGR Rodrigo Janot para a prisão dos Políticos envolvidos e da investigação do Presidente da República muita coisa pode acontecer.
Então vejamos algumas possibilidades:
1. Se a chapa Dilma/Temer for cassada, pelo TSE, imediatamente assume o Presidente da Câmara dos Deputados e convoca eleições indiretas a serem realizadas em 30 dias pelos membros do Congresso Nacional (existe nesse ponto uma controvérsia, ainda dependendo de julgamento, pois existe divergência na matéria, que indicaria a possibilidade de realização de eleições diretas no caso de cassação da chapa);
2. No impedimento de Rodrigo Maia, presidente da Câmara, citado na LavaJato, assumiria o presidente do Senado Eunício de Oliveira e no impedimento deste, que também é citado na LavaJato, assumiria a Presidente do STF Ministra Carmem Lucia;
3. Alguns defendem que face a balbúrdia política instalada, deveriam convocar eleições diretas, porém seria uma possibilidade muito remota, já que dependeria de uma reforma da constituição, que sabemos ser bastante demorada face ao rito processual que deveria seguir;
4. Temer cede às pressões e renuncia. Nesse caso seria seguido o mesmo rito dado pela cassação da chapa Dilma/Temer.
5. O Presidente Temer que já afirmou categoricamente que não renuncia, está perfeitamente amparado pela Constituição Federal, código Penal e Processual Penal, que oferecem prazos bem dilatados e fazem com que consiga se manter no cargo, arrastando seu mandato até o fim, ou seja, dezembro de 2018, daqui a apenas cerca de 1 ano e meio;
Existem outras situações, porém essas apresentadas estariam entre as mais ventiladas no meio político e também pela imprensa, que acompanha de forma diligente o cenário atual.
Encerramos essa matéria, clamando pelo implemento da ÉTICA NA POLÍTICA e pelo RESPEITO AO DINHEIRO PÚBLICO e reafirmando o que já dissemos antes em várias oportunidades: A CORRUPÇÃO É O PIOR DOS MALES DO SERVIÇO PÚBLICO.

http://politica.estadao.com.br/blogs/fausto-macedo/jbs-distribuiu-propina-a-1-829-candidatos-de-28-partidos/

http://g1.globo.com/politica/operacao-lava-jato/noticia/delator-da-jbs-desenhou-ao-mpf-o-mapa-da-propina-para-politicos.ghtml

http://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2017-05/delator-da-jbs-disse-que-pagou-propina-politicos-com-doacao-oficial

Uma ideia sobre “A DECEPÇÃO DOS BRASILEIROS NÃO TEM FIM

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *